Meio ambiente

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Quarta, 13 de agosto de 2008, 13h33  Atualizada às 13h37

São Paulo só vai comprar madeira certificada

Antonio Gaspar
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O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, e o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, assinam protocolo de intenção pelo qual as empresas do Estado passam a adquirir somente madeira de origem conhecida, cuja procedência possa ser verificada. O objetivo é fechar o cerco às empresas que continuam derrubando a floresta amazônica para a retirada ilegal de madeira. O acordo foi oficializado na abertura da 2.ª Mostra Sistema Fiesp de Responsabilidade Sócioambiental, no Pavilhão da Bienal no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

O presidente da Fiesp disse que o momento é de quebra de paradigmas. Defendeu o incremente do desenvolvimento com responsabilidade e preservação ambiental. "Na campanha para a Fiesp dissemos que nosso compromisso era lutar pelo Brasil, pois se o País vai bem, a indústria também vai", disse. Skaf lembrou que o protocolo assinado com o Ministério do Meio Ambiente mostrava um salto de qualidade, na medida em que as decisões deverão ecoar por toda a cadeia de produção. Elas vão envolver a cadeia da madeira legal.

Sem retorno - Nelson Pereira dos Reis, diretor-titular do Departamento do Meio Ambiente da Fiesp, disse que o caminho para a sustentabilidade é irreversível. "A inserção do Brasil na economia globalizada tem como pilares a sustentabilidade e a inovação." Ele lembrou que as ações de responsabilidade empresarial e social e a busca da sustentabilidade fazem parte da estratégia das empresas que desejam continuar crescendo no mercado.

O secretário estadual do Meio Ambiente, Xico Graziano, presente à abertura do evento, lembrou que, nos próximos dias, sua secretaria estará assinando um protocolo de conduta com o setor de mineração do Estado, especialmente o segmento que trabalha com extração de argila e areia, que implica adoção de práticas ambientais corretas. O presidente da Fiesp, lembrou o quanto o empresariado de São Paulo vem avançando no entendimento da questão do desenvolvimento com respeito ao meio ambiente. "Hoje você tem o setor de mineração conversando com governo, o que é absolutamente natural e normal. Há consciência, agora precisamos passar à ação e é isso o que estamos fazendo."

Números positivos - Minc lembrou que em menos de dois meses no ministério, a sua pasta fechou seis acordos com os mais diversos setores. "Com a indústria do óleo, acertamos que a soja produzida em áreas desmatadas da Amazônia não será adquirida. Com os exportadores de madeira do Pará, ficou decidido que eles só vão negociar com madeira certifica. O ganho de tempo na liberação das licenças ambientais permitiu um acordo com a Vale para que só venda minério a quem produz respeitando a legislação. No caso dos bancos públicos, eles não mais vão financiar propriedades agrícolas insustentáveis. Em breve, vamos assinar acordo semelhante com os bancos privados. Com a associação dos exportadores de carne, fizemos um acerto para que ajudem a recuperar pastagens e aumentem a produtividade.

O ministro antecipou que os dados de julho do desmatamento na Amazônia serão muito positivos. "Entre os fatores que justificam a redução da pressão sobre a floresta estão o beneficiamento de produtos da região como açaí e castanha, que passarão a ter preço mínimo, o que vai ajudar enormemente esses produtores."

A 2.ª Mostra Sistema Fiesp de Responsabilidade Social ocupa mais de 15 mil metros quadrados do Pavilhão da Bienal e vai até o dia 15. Ela é resultado da percepção do Conselho Superior de Responsabilidade Social e do Comitê de Responsabilidade Social da instituição de criar um veículo de comunicação para melhor divulgar as práticas de responsabilidade social realizadas pelos mais diversos setores da sociedade.

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