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Quinta, 3 de julho de 2008, 11h28 Empresas buscam inclusão e diversidade no negócio |
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Uma iniciativa empresarial mostra que é possível promover a diversidade humana como valor fundamental para o desenvolvimento sustentável tanto dos negócios quanto da sociedade. A ONG Integrare - Centro de Integração de Negócios vem trabalhando para incrementar os espaços no mundo empresarial de descendentes de negros, índios ou de portadores de necessidades especiais (deficientes). "Contamos com 300 fornecedores. Setenta por cento dos empreendimentos são de negros, 20% de deficientes e 10% de indígenas já incorporados à sociedade", explica Silas Cezar da Silva, superintendente do Integrare. Na ponta compradora, a organização conta com 45 companhias associadas como DuPont, Grupo Orsa, ABN, IBM, Xerox, Honda, Unysis, Braskem, Serasa, entre outros.
Das 300 empresas fornecedoras, 100 já estão em via de ou fazendo negócios com as companhias associadas. As outras duzentas passam por processos de adequação promovidos pelo Sebrae, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Integrare. "Quando estiverem prontas, nós as 'apresentaremos' aos departamentos de compras dos nossos filiados. Nesse momento, eles têm de ser competitivos. Não cabe filantropia e benemerência no processo", diz Silva.
Associação empresarial -A Integrare é o resultado da percepção de grandes empresas de que é preciso trabalhar a inclusão de grupos sociais tradicionalmente mais excluídos e isso é convergente com o negócio, com a busca de eficiência e de faturamento. É um braço que produz inteligência, organiza e cria pontes entre vendedores e compradores. Sobrevive com a contribuição anual das 45 organizações associadas. "Temos o formato de associação empresarial das empresas compradoras".
Silva explica que a promoção da diversidade social é boa para a empresa associada. Ela 'passa' a lidar com grandes grupos e segmentos de mercados emergentes, a concentrar ações de responsabilidade social do mundo corporativo, a aumentar a competitividade na base de fornecedores e a promover a redistribuição de renda de forma competitiva. "Acho que é do interesse das companhias transcender os seus interesses imediatos e se colocar em linha com o interesse coletivo, da comunidade, do mercado, do País. É o capital trabalhando para o interesse coletivo também."
Se, no Brasil, os conceitos contidos na proposta da Integrare são únicos. Em outros países, já estão consagrados. Nos Estados Unidos, por exemplo, empresas que realizam esse tipo de trabalho com sua cadeia de fornecedores recebem créditos, que podem redundar em mais negócios e faturamento. "Trata-se de um processo já institucionalizado que reflete o desejo da sociedade, dos agentes econômicos."
Ingresso na rede - O primeiro passo para participar da rede de fornecedores do Integrare é entrar no site www.integrare.org.br e fazer a inscrição. "Após essa etapa, verificamos a origem da maioria societária da empresa para saber se é de pessoas de um dos três grupos com que trabalhamos: negros, índios ou portadores de deficiências especiais. A seguir, é feita uma visita para verificar a documentação", explica Silva. A partir daí, os representantes da empresa credenciada passam a ter acesso a cursos e a programas de negócios.
No caso de empresas que querem se associar, depois da inscrição no site, elas recebem visitas de técnicos da Integrare que vão explicar a seus funcionários o funcionamento, conceito e lógica do programa corporativo de compras elaborado pela ONG. "Nós mostramos que se trata da incorporação pela empresa que se associa de uma cultura que é boa para os negócios, que é do bem, que não tem nada a ver com quota, que não é filantropia ou algo do gênero. Que é possível transcender sem burlar os procedimentos, que serão auditados. Enfim, que se trata de aumentar a competitividade e o faturamento, com a promoção da integração sócio-econômica." Já no caso das empresas que fazem parte da rede de fornecedores, o trabalho é o de fazer esses dirigentes entenderem que não fazem parte de ações filantrópicas, de benemerência, que precisam ser competitivos.
Um dos grandes desafios do Integrare, segundo Silva, na promoção da diversidade social brasileira nas cadeias produtivas e de suprimentos é o fato de ser a única iniciativa no mercado brasileiro. "Ninguém ecoa o que fazemos", diz o dirigente. "Nos Estados Unidos você tem o governo, os setores privado e público e a sociedade incentivando essas políticas."
Entre os casos de sucesso do Integrare está uma gráfica de São Paulo de propriedade de um deficiente sem mobilidade dos membros inferiores. A empresa entrou para o programa há cerca de três anos. O resultado foi tão bom que o número de funcionários saltou de cerca de 15 para 80, segundo a ONG. "Quando você passa a fornecer para a IBM, por exemplo, você está mostrando que pode fornecer para qualquer companhia, que está qualificado." Silva lembra ainda dos casos de um descendente de índios, no Nordeste, que criou uma empresa de prestação de serviços na área de TI e após três anos fatura em torno de R$ 20 milhões ao ano, e de uma engenheira negra que, após perder emprego, resolveu criar uma empresa e passou a fornecer serviços de engenharia civil, projetos de reforma e construção para as companhias associadas. "São inúmeras as histórias de sucesso", diz Silva.