Economia Verde

Resultado/sustentabilidade


Sustentabilidade exige parcerias

18 abr

Publicado às 19h53

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Por mais que alguns políticos, ou organizações civis, queiram se assenhorear da problemática ecológica, tomando como seu privilégio decifrá-la, formou-se certo consenso na sociedade mundial em favor da sustentabilidade. Sente-se, com maior ou menor idealismo, que a pegada ecológica sobre os recursos naturais periga romper os limites do planeta. Vislumbram-se, em decorrência, modificações na produção material, no consumo e no comportamento da civilização humana. Ninguém defende a destruição ambiental. Existe, também, boa concordância sobre a necessidade de se mensurar a sustentabilidade. No início do movimento ambientalista, gritar era fundamental para avançar a consciência sobre os problemas ecológicos. Predominavam os discursos inflamados. Agora, mais que falar, é preciso fazer. E a ação prática somente poderá ter seus resultados aquilatados através da metodologia científica. O enfoque do “measure and management” domina a agenda mundial da sustentabilidade. Todos defendem o desenvolvimento sustentável, mas, e aí surge um problema, cada qual o define, e o mensura, conforme lhe convém. Nesse jogo de interesses, estoura a corrente produtiva no elo mais fraco da cadeia de produção: os agricultores. A modificação tecnológica nas práticas agrícolas, tornando-as mais amigáveis da natureza, nem sempre operam a favor da rentabilidade dos negócios rurais. Os processos sustentáveis geram, muitas vezes, custos – “trade offs” – que comprometem a sobrevivência econômica do produtor rural. Esse viés, o da economia, normalmente tem sido minimizado nas discussões sobre o desenvolvimento sustentável. Carrega-se no ecologicamente correto, destaca-se o socialmente justo, mas se esquece do economicamente viável, deformando o famoso tripé da sustentabilidade. Conclusão: na busca da sustentabilidade, as empresas, os consumidores, ou os governos, em nome da sociedade, precisam auxiliar, e não sufocar os produtores rurais. Desenvolvimento sustentável, para ser efetivo, exige parcerias, não se enfia na goela de ninguém.

Tomate sustentável

12 abr

Publicado às 20h57

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Todos querem entender porque o tomate anda tão caro. As razões são variadas. A demanda por molhos, ketchups etc cresceu 16% nos últimos tempos, enquanto que a oferta ficou comprometida, entre dezembro e março, por secas, da Bahia para cima, e chuvas demasiadas, em Goiás e Paraná. Existem também razões mais complexas. O tomateiro é uma solanácea muito susceptível às doenças fúngicas e bacterianas, e vírus terríveis aniquilam as lavouras. Quanto mais quente o ambiente, mais forte são as infestações. Por essa razão, o uso de defensivos agrícolas é muito intenso, e as lavouras jamais se repetem na mesma área, tendo que “andar” pelo território para escapar dos patógenos que contaminam o ecossistema próximo. Devido à essa mobilidade e instabilidade, quase sempre são arrendatários que tocam as lavouras. Na agenda da sustentabilidade dos tomateiros, muita tecnologia ainda se espera para desenvolver variedades e sistemas de produção mais estáveis. Certamente, as transgenias irão avançar na olericultura.

Novo Paradigma da Economia Verde

13 ago

Publicado às 21h48

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Apenas combater a poluição e proteger as florestas com sua biodiversidade não basta na consecução do desenvolvimento sustentável. Quer dizer, não adianta apenas consertar os estragos ambientais causados pelo crescimento da economia. Nem tampouco de aprimorar as tecnologias mantendo o padrão de produção. Não. O porvir sustentável exigirá algo mais profundo, uma verdadeira revolução no modo de vida.
Grandes modificações no modo de exploração, produção e no padrão do consumo mundial serão necessárias. Nessa transição, a durar décadas, o Brasil poderá extrair vantagens comparativas, visto sua abundância em energias renováveis. Cadeias produtivas com baixa utilização de carbono se sobressairão no comércio mundial, agregando valor ambiental aos seus produtos.
As restrições impostas pela agenda ambiental não podem, portanto, ser vistas como freio ao progresso material e humano, mas sim como chance para se construir uma nova economia, a economia verde: energia renovável, produção industrial com baixa intensidade em carbono, reflorestamento e seqüestro de carbono, conservação de água e biodiversidade, agricultura ecológica, tecnologias limpas. Novos conceitos de produção e consumo, cultura holística.
Favorece o país a juventude de sua economia, o amplo e diverso território tropical, com riquezas naturais abundantes, conjunto de fatores que, corretamente aproveitados, formam um potencial relativamente adormecido capaz de transformar o Brasil em uma potência ambiental. Economia forte, verde, com qualidade de vida ao seu povo.

perfil do autor

Xico Graziano é engenheiro agrônomo e doutor em Administração pela FGV. Foi Secretário Estadual de Meio Ambiente em SP. Também é sócio-diretor da OIABrasil, é comentarista da TV Terra Viva/Grupo Band.





Últimos comentários

  • Riccardo, Cuidado quando chamas alguém para a briga intelectual.. Lá não valem socos nem pontapés.. E o 'Folgado' colocou muitas referências...

    Fábio Miranda no post Agrotóxicos e pesticidas

  • Outro ponto, Como bom conhecedor da Lei nº 7.802, de 11 de julho de 1989, leia-se 'Lei dos agrotóxicos', tu sabes...

    Fábio Miranda no post Agrotóxicos e pesticidas

  • Doutor, Onde estão as referências dos dados que coloca? Deve-se tomar cuidado com generalizações e argumentos tendenciosos.....

    Fábio Miranda no post Agrotóxicos e pesticidas

  • Por favor, onde está a informação que o senhor colocou nesta mensagem? Em qual artigo? Att. Fábio...

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  • Há 10 anos sou articulista do Estadão, e jamais escrevi qq artigo sobre um assunto que não domine tecnicamente. Críticas...

    Francisco Graziano Neto no post Agrotóxicos e pesticidas

  • quanto vc esta recebendo da Monsanto pra escrever isso Doutor?...

    Marcos Roberto Formento no post Agrotóxicos e pesticidas

  • Caro Dr. Graziano, mesmo num artigo de divulgação devem existir uma ou duas referências bibliográficas sobre as afirmações que o...

    Manoel Paiva no post Agrotóxicos e pesticidas

  • Um momento,tenho que fechar as janelas de casa,pois o fumacê da prefeitura de Luziania esta passando aqui na rua...mata a...

    Riccardo Gentil Celia no post Agrotóxicos e pesticidas

  • Folgado,teus argumentos são fracos e insustentáveis,tipico de ecoterroristas,se o Sr Xico Graziano aceitar sentar para debate com um FOLGADO e...

    Riccardo Gentil Celia no post Agrotóxicos e pesticidas