Por mais que alguns políticos, ou organizações civis, queiram se assenhorear da problemática ecológica, tomando como seu privilégio decifrá-la, formou-se certo consenso na sociedade mundial em favor da sustentabilidade. Sente-se, com maior ou menor idealismo, que a pegada ecológica sobre os recursos naturais periga romper os limites do planeta. Vislumbram-se, em decorrência, modificações na produção material, no consumo e no comportamento da civilização humana. Ninguém defende a destruição ambiental. Existe, também, boa concordância sobre a necessidade de se mensurar a sustentabilidade. No início do movimento ambientalista, gritar era fundamental para avançar a consciência sobre os problemas ecológicos. Predominavam os discursos inflamados. Agora, mais que falar, é preciso fazer. E a ação prática somente poderá ter seus resultados aquilatados através da metodologia científica. O enfoque do “measure and management” domina a agenda mundial da sustentabilidade. Todos defendem o desenvolvimento sustentável, mas, e aí surge um problema, cada qual o define, e o mensura, conforme lhe convém. Nesse jogo de interesses, estoura a corrente produtiva no elo mais fraco da cadeia de produção: os agricultores. A modificação tecnológica nas práticas agrícolas, tornando-as mais amigáveis da natureza, nem sempre operam a favor da rentabilidade dos negócios rurais. Os processos sustentáveis geram, muitas vezes, custos – “trade offs” – que comprometem a sobrevivência econômica do produtor rural. Esse viés, o da economia, normalmente tem sido minimizado nas discussões sobre o desenvolvimento sustentável. Carrega-se no ecologicamente correto, destaca-se o socialmente justo, mas se esquece do economicamente viável, deformando o famoso tripé da sustentabilidade. Conclusão: na busca da sustentabilidade, as empresas, os consumidores, ou os governos, em nome da sociedade, precisam auxiliar, e não sufocar os produtores rurais. Desenvolvimento sustentável, para ser efetivo, exige parcerias, não se enfia na goela de ninguém.