O biólogo Fernando Reinach escreveu um interessante artigo no Estado falando sobre a seca e o fim da civilização maia. O tema foi, bem antes, tratado por Jared Diamond em seu magnífico livro “Colapso”. Os cientistas comprovaram que após reinarem por 800 anos na península de Yucatan, no México, os maias sucumbiram devido à superexploração dos recursos naturais, guerras insensatas, agravadas por secas recorrentes, de duração de uma década, ocorridas nos anos 820, depois 910 e, finalmente, a iniciada em 1000, que perdurou por um século, fazendo sucumbir aquela civilização pré-colombiana. Esse fato histórico ajuda a pensar o futuro da civilização humana. Nada assegura que a disponibilidade de água – potável, para irrigação agrícola, usos industriais e energéticos – seja uma constante no decorrer da história. Pelo contrário, ela pode variar dependendo dos ciclos climáticos e da relação de exploração do meio ambiente, na proteção dos mananciais, no controle da poluição, no combate ao desperdício. Esse momento que estamos passando no Brasil, de certa restrição nos volumes de água verificado nos reservatórios das hidrelétricas, mostra que o fenômeno do desaparecimento dos maias jamais poderá ser esquecido na economia verde do futuro.