Conservação do solo é a palavra-mágica da sustentabilidade no campo. E, nos países tropicais como o Brasil, o bicho-papão da agricultura se chama erosão. No passado recente, imensas áreas de terra recém-desbravadas perderam fertilidade e tornaram-se quase imprestáveis para uso agrícola devido ao processo erosivo causado por sucessivas arações, gradeamento dos solos e pela sua exposição superficial. Sempre se culpou as chuvas torrenciais pela erosão, causadora das terríveis voçorocas, verdadeiras cicatrizes da terra. Desde os anos 1950 a agronomia passou a recomendar o plantio em nível, somado aos terraços, murunduns construídos pelo terreno, como forma de controlar o escorrimento das águas. Nem sempre, todavia, sua eficácia resolvia o problema. Foi somente com o desenvolvimento da técnica do “plantio direto” que a erosão recebeu sua sentença de morte. No plantio direto não se ara mais o terreno, tampouco se o gradeia, mantendo o solo preservado em sua estrutura. Máquinas especializadas apenas revolvem a linha de plantio, colocando as sementes e o fertilizante no sulco cortado sobre a palha dessecada. O plantio direto representa uma verdadeira maravilha moderna da agronomia tropical. Seu emprego já ultrapassa 60% da área plantada no Brasil, atingindo acima de 90% na região do cerrado. O Centro-Oeste do país, com seus solos arenosos, estaria depauperado sem a utilização do novo sistema de plantio direto. Investir em tecnologia, no campo ou na cidade, é o caminho mais seguro para a economia verde do futuro.