A terrível poluição atmosférica que, nesses dias, detonou o meio ambiente urbano de Pequim (China), lembrou, aqui no Brasil, a época quando Cubatão, na Baixada Santista, recebeu da ONU o triste apelido de cidade mais poluída do mundo. Um vexame mundial se causou com os deslizamentos das encostas da Serra do Mar, fora as notícias horripilantes sobre nascimentos de bebês anencéfalos. Coube a Franco Montoro, eleito governador de São Paulo, em 1982, enfrentar pioneiramente a tragédia ecológica. As empresas se uniram, a sociedade exigiu, o governo atuou. Resultado: passados 30 anos, a poluição do ar em Cubatão se reduziu em 98%, segundo os dados laboratoriais da Cetesb. Moral da história: política ambiental funciona, dá resultado, quando sai do discurso e entra na ação concreta. Para tal ocorrer, porém, é preciso que exista decisão política, líderes com visão de futuro. Anda em falta, atualmente, tais estadistas, líderes resolutos capazes, mais que discursar, de conduzir o processo civilizatório rumo à economia verde. Veremos como os chineses vencerão seu desafio ambiental, sem amordaçar ainda mais a democracia por lá.