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Previdência Privada
Quinta, 6 de maio de 2004, 15h55 
VGBL impulsiona faturamento de R$ 10 bi de seguros
 
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As vendas de seguro tiveram bom desempenho no primeiro trimestre deste ano, segundo os executivos das duas maiores seguradoras do Brasil. Os prêmios totalizaram R$ 10,6 bilhões, alta nominal de 27% em relação ao primeiro trimestre de 2003. O Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL), um produto de acumulação de renda e que começa a ser considerado nas estatísticas de previdência complementar, tem puxado o crescimento do setor de seguros por estar catalogado como seguro de vida, com prêmios de R$ 2,34 bilhões, alta nominal de 154% em relação ao primeiro trimestre de 2003.

O seguro automóvel é o segundo maior em vendas, com R$ 2,33 bilhões. O seguro-saúde acumulou R$ 1,8 bilhão, 11,4% acima do mesmo período anterior. A carteira de vida e acidentes pessoais registrou vendas de R$ 1,6 bilhão no período, evolução de 14,2%. Os seguros patrimoniais, tanto de empresas como de pessoas físicas, registraram faturamento de R$ 961 milhões no trimestre, uma ligeira alta de 0,5%.

Segundo Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente da Bradesco Seguros, que mantém a liderança absoluta no ranking geral, com 24,5% das vendas, foi um primeiro trimestre bom, mas ainda é apenas o começo do ano. "Tivemos um pouco de volatilidade do mercado financeiro, mas que não afetou o mercado de seguros. O trimestre foi bom para a bolsa de valores, o IGP-M ficou maior do que o previsto e isso ajudou a manter a rentabilidade dentro do orçamento", comentou. As vendas também superaram o valor estimado em R$ 150 milhões no trimestre.

Para Cappi, crescer 15% é um índice bom, levando-se em conta os indicadores da economia como um todo. "O País está numa transição, esperando o crescimento econômico, a renda real caiu, e com isso o seguro, que é avaliado dentro das necessidades mensais, vai para segundo plano", acrescentou. Mesmo com esse cenário, as vendas do seguro de vida, que custa R$ 9,90 mensais, apelidado de popular, tem surpreendido em vendas. Já foram vendidas mais de 150 mil apólices desde o lançamento em janeiro último. A meta do grupo, que tem hoje 1,4 milhão de segurados em vida, é agregar mais 1 milhão de clientes até o final de 2005.

Segundo Hélio Novaes, vice-presidente da SulAmérica Seguros, associada ao ING, também foi um bom começo de ano. Considerando-se apenas as operações de seguros, sem o VGBL e o seguro-saúde, o mercado deverá encerrar o ano com crescimento em torno de 15%. Apesar do índice do primeiro trimestre estar abaixo disso, em 11,2%, historicamente o segundo semestre do ano é melhor para o setor de seguros", comentou. A SulAmérica encerrou o trimestre com R$ 1,49 bilhão, alta de 17,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. "A criação de uma diretoria específica para clientes mundiais do ING tem nos ajudado a crescer", disse Novaes.

Para o executivo, a tendência com a queda da taxa de juros é de que as companhias passem a selecionar a atuação para recuperar perda financeira. No ano passado elas contavam com juros anuais de 26% e neste ano operam com dez pontos percentuais a menos. "Obviamente isso terá um forte impacto nos resultados e exige mudanças nas estratégias das companhias. Acredito que haverá focos em nichos por perfil, como jovens ou mulheres, ou de ramos, como incêndio ou carro popular".
 

Gazeta Mercantil