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A rápida queda dos juros reforça a necessidade de atenção pelos poupadores. Evite superestimar taxa ao planejar plano de previdência privada, porque, no final, a soma de recursos será menor e prejudicará seus objetivos.
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A substancial queda das taxas de juros ao longo dos últimos anos, mais acelerada do que o inicialmente previsto, deve ser observada com cuidado pelas pessoas que pretendem iniciar um plano de previdência privada e até pelos que já estão em fase de acumulação de recursos, para evitar surpresas negativas na hora da aposentadoria.
Os juros baixos revelam a necessidade de adequação dos planos às novas taxas e cautela na hora de estimar quanto seu dinheiro vai receber de remuneração. Uma simples alteração dessa importante variável na hora da simulação do dinheiro que você terá disponível poderá frustrar seus planos no futuro, como aposentadoria ou o financiamento do estudo dos seus filhos.
Após atingir 19% em 2005, a Selic, taxa básica de referência para os títulos de renda fixa e referenciados ao CDI, que formam a base dos planos de previdência privada, caiu para 15,1% em 2006 e está prevista em 11,84%, na média do ano de 2007 e 10,11% para 2008, conforme as previsões dos economistas na pesquisa Focus do Banco Central.
Ou seja, se vai começar um plano, estimar uma taxa acima de 12% será apenas uma ilusão. Supondo juros maiores, você vai precisar fazer depósitos mensais menores para atingir a mesma renda, mas, na hora de resgatar o benefício, verá que não tem acumulada a quantia inicialmente prevista.
Simulação
Imagine que você pretende fazer um plano para pagar a faculdade de um filho recém-nascido. Você quer fazer resgates mensais de R$ 1 mil por cinco anos, quando ele completar 18 anos, idade estimada que entrará na universidade. Após definir isso, o corretor fará uma simulação, considerando uma taxa de juros média anual, para saber quanto precisará depositar para atingir esse objetivo. Se ele usar uma taxa de juros de 14% ao ano, você teria de depositar inicialmente apenas R$ 63,1 ao mês e, ao final dos 18 anos, acumularia R$ 55,6 mil, quantia suficiente para fazer retiradas mensais de R$ 1 mil por cinco anos.
Nessa simulação, o investimento é de R$ 13,6 mil em 18 anos, em suaves parcelas mensais de R$ 63,1. A diferença dos R$ 55,6 mil acumulados para os R$ 13,6 mil depositados será o efeito dos juros. Ou seja, no longo prazo, os juros fazem efeito maior sobre o capital acumulado do que os próprios depósitos.
No mesmo exemplo, se os juros da simulação forem reduzidos para 12% ao ano, você teria de depositar R$ 78,2 mensalmente, num total de R$ 16,9 mil nos 18 anos, para acumular os mesmos R$ 55,6 mil, ou R$ 3,3 mil a mais que na hipótese com juros de 14% ao ano. Supondo juros de 10% ao ano, o depósito inicial seria de R$ 96,5 e teria aplicado R$ 20,8 mil em 18 anos, para alcançar a mesma soma, de R$ 55,6 mil. Ou seja, precisaria depositar R$ 7,2 mil a mais do que na simulação com 14% ao ano e R$ 3,9 mil a mais que na hipótese com 12% ao ano.
Se você aceitar a simulação com 14% ao ano e investir R$ 63,1 por mês, mas ao longo do plano descobrir que a taxa média anual é de 10%, vai juntar apenas R$ 36,5 mil no período, ou seja, quase R$ 20 mil a menos que na simulação inicial, de R$ 55,6 mil. Isso poderá comprometer vários meses do pagamento da faculdade ou terá que fazer resgates mensais menores. Na hipótese da simulação com 12% ao ano, se a taxa média anual ficar em 10%, você acumulará cerca de R$ 45 mil, ou R$ 10 mil a menos que o previsto ao fazer o plano.
Readequação
De acordo com as condições atuais da economia brasileira, o ideal seria fazer simulações com juros médios de, no máximo, 10% ao ano para os planos de renda fixa ou até menores como precaução. Assim, teria que fazer aportes mensais um pouco maiores, mas teria maior garantia de acumular a quantia prevista inicialmente.
Se a taxa média efetiva ficar um pouco acima da simulação, você terá o dinheiro pretendido antes dos 18 anos, ou, se seguir depositando, um valor maior, que poderá ser destinados a outros projetos. E ainda há incidência da taxa de administração, que corrói a rentabilidade anual.
Já as taxas de carregamento, em muitos casos, obedecem uma tabela regressiva e chegam a zero em prazos mais longos. Mas, fique atento a essas taxas também e escolha planos com taxa de administração de até 1,5% ao ano e taxa de carregamento nula no longo prazo.
Os juros previstos inicialmente podem dar a ilusão de que precisa depositar menos para atingir o mesmo objetivo e no mesmo prazo, mas pode se tornar em frustração no final do prazo de formação da reserva. Dessa forma, você pode até reavaliar seus planos atuais, em processo de acumulação, para verificar se não superestimou os juros inicialmente e se existe necessidade de aumentar o valor mensal dos depósitos, readequando o projeto ao seu objetivo inicial.
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