Saiba o que fazer com o dinheiro da restituição do IR

05 de outubro de 2009 • 14h57 • atualizado às 16h38

A restituição do Imposto de Renda, que terá sete lotes liberados este ano, de junho a dezembro, pode ajudar o contribuinte que está endividado, ou engordar o pé-de-meia daqueles que estão com as contas em dia. Confira dicas de especialistas consultados pelo Terra de como você deve usar seu dinheiro da restituição.

Quem está endividado, deve usar este dinheiro para quitar suas dívidas. Segundo o professor Andreas Belck, chefe do departamento de finanças da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), não há investimento de renda fixa que tenha rentabilidade igual ao juro do cartão de crédito e cheque especial. Ou seja, conservar investimentos tendo dívidas com juros altos a pagar é mau negócio.

No momento de quitar os débitos, o conselho do professor de Economia e Administração Carlos Stempniewski, das Faculdades Integradas Rio Branco, é priorizar as dívidas que tem o maior juro. Esta ordem, da maior para a menor é: cartão de crédito, cheque especial, empréstimo pessoal, empréstimo com desconto em folha e crédito para financiamento de automóvel.

Caso tenha dinheiro para quitar toda a dívida, e não parcelá-la, a dica de do vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, é pedir um desconto ao banco no momento de quitar o débito.

Para quem está livre de dívidas e prestações, a opção é aplicar o dinheiro e fazer crescer o pé-de-meia. Como opções mais conservadoras (com chances reduzidas de perdas), a poupança ainda continua sendo a aplicação mais recomendada - e rentável - para valores até R$ 10 mil.

"Os valores de restituição do IR geralmente não são muito altos. A melhor coisa é a caderneta (de poupança), pelo menos enquanto o imposto não vier. Com ela, a pessoa pode se programar com melhor data de saque (para não perder rentabilidade), não tem que se preocupar com carência (tempo mínimo de aplicação), imposto etc. Com a poupança você é senhor da sua situação", afirmou Stempniewski.

Em setembro, o governo confirmou que pretende enviar ao Congresso um projeto para taxar em 22,5%, por meio do IR, os ganhos obtidos com aplicações da caderneta superiores a R$ 50 mil. Mesmo se for aprovada este ano, a medida só passa a valer a partir de 2010.

Quem prefere os fundos, deve analisar cuidadosamente a previsão de uso do dinheiro. Se for menos de um ano, deve optar pelos fundos de curto prazo. A diferença está na tributação, que é decrescente de acordo com o período de aplicação (quanto mais tempo aplicado, menos Imposto de Renda cobrado), caso a opção seja por fundos de longo prazo.

Outra variável que deve ser levada em conta pelo investidor é a taxa de administração do fundo, que, segundo Andrew Storfer, diretor da Anefac, é um fator decisivo para comprometer os ganhos da aplicação. Procure taxas menores que 2% e lembre-se que quanto menor, melhor, diz ele.

Quem recebeu a restituição e não se contenta com os ganhos da renda fixa pode ainda tentar aplicar em ações. Neste ano, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acumula alta de 62,91% (fechamento de 3 de outubro). No entanto, essa rentabilidade alta pode significar, segundo os especialistas, um sobre preço nos papéis - o que deve acender a luz amarela para os novos investidores.

Segundo o gestor da DLM Invista, Luiz Iani, pode haver uma correção no valor das ações que pode se dar com uma troca de setores em alta, com alguns subindo e outros descendo, mas na média a margem para quem quer investir agora é bem menor do que no início do ano, quando a bolsa chegou a atingir o fechamento mínimo de 36,7 mil pontos (9 de março).

"A economia real já deu sinais fortes de recuperação, e o mercado está precificando uma recuperação mais forte para ano que vem. Vamos ter que observar em breve se a economia vai responder por esses preços nos próximos meses. Não tem muito espaço para alta. O setor de varejo como um todo subiu expressivamente, assim como o próprio (setor) imobiliário. Podem ter correções", afirma Iani.

Redação Terra
 
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