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Domingo, 29 de junho de 2008, 13h18 Atualizada às 13h18

Árabes dominam arranha-céus de Londres

Julia Werdigier

Alguns dos guindastes de construção que vemos hoje em dia na City de Londres, o coração financeiro da Europa, trazem o selo de riquezas soberanas, mas não britânicas - vindas do Oriente Médio. Depois de investir no setor de serviços financeiros britânico, os fundos soberanos de investimento do Golfo Pérsico, enriquecidos pelo petróleo, agora estão despejando dinheiro em imóveis na capital britânica.

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Um fundo do Kuwait recentemente adquiriu o Willis Building, um dos mais altos no distrito financeiro, pelo equivalente a US$ 783 milhões, e planeja investir ainda mais.

O governo do Catar, o sultanato do Omã e a Arab Investments, uma empresa de investimento muito discreta sediada em Londres, também estão investindo em arranha-céus que mudarão a paisagem da City, o histórico distrito central da metrópole britânica, nos próximos três anos.

Londres tem uma longa tradição de receber bem os estrangeiros e seu dinheiro, mas a City está particularmente ansiosa por investimento no momento, porque a crise de crédito está ameaçando retardar diversos projetos.

"Esse dinheiro fará diferença para os nossos projetos", disse Colin Wilson, diretor da consultoria imobiliária DTZ, em Londres. "Para muitos desses investidores, Londres provou ser um investimento atraente".

Por anos, fundos familiares do Oriente Médio investiram no glamuroso e rico West End londrino, adquirindo imóveis residenciais e escritórios em bairros elegantes como Kensington e Knightsbridge. Mas, com o tumulto surgido no setor de serviços financeiros, esses investidores optaram por transferir seu foco ao centro financeiro da cidade, onde os preços dos imóveis comerciais caíram em até 20% nos últimos oito meses, enquanto os do West End mal oscilavam.

Alguns dos edifícios estavam no mercado porque perderam seus financiadores e incorporadoras como a British Land, a maior da cidade, estavam no vermelho. O investimento de 2 bilhões de libras do Catar na London Bridge Tower, em janeiro, pôs fim às especulações quanto ao prosseguimento das obras no edifício de 310 m, projetado por Renzo Piano e localizado na margem sul do Tâmisa, do outro lado da City. O xeque Jassim bin Hamad bin Jabor Al Thani, presidente do Banco Islâmico do Catar, mencionou as políticas de mercado aberto e o ambiente amistoso de investimento do Reino Unido como algumas das principais razões para o investimento de sua instituição no projeto.

Investidores do Oriente Médio responderam por cerca de 15% dos 2,45 bilhões de libras investidos em escritórios no centro de Londres entre janeiro e março, ante apenas 4% em 2007, de acordo com a CB Richard Ellis, uma consultoria imobiliária.

Lindsey Robinson, diretor executivo da St. Martins, uma administradora de ativos britânica que gere investimentos para o governo do Kuwait, disse que 18 meses atrás ele estava procurando por outros mercados para investir, porque os preços britânicos andavam altos demais. A aquisição do Willis Building, de 29 andares, projetado pelo arquiteto Norman Foster, não saiu barata, mas graças à crise de crédito havia menos compradores na parada.

"Se você é comprador em um mercado como esse, sua posição certamente é favorável", disse Mat Oakley, diretor de pesquisa da imobiliária Savills. "O mercado está beirando o fundo do poço, e há pouca concorrência de outros potenciais compradores".

Mas, abocanhar edifícios conhecidos por preço baixo não é a prioridade dos investidores árabes. Os arranha-céus londrinos são atraentes para ele como investimentos de longo prazo e com receita praticamente garantida. O tumulto no mercado financeiro pode forçar algumas empresas a reduzir por algum tempo as áreas que alugam, mas em longo prazo esse tipo de investimento provavelmente oferecerá resultados lucrativos, na opinião de Nick Axford, diretor de pesquisa e consultoria na CB Richard Ellis.

A aposta é que o apelo de alugar escritórios em um edifício renomado sirva para atenuar qualquer queda na demanda em curto prazo, e a maioria dos arranha-céus em que os árabes estão adquirindo participações não estarão prontos ante de 2010. O Pinnacle, por exemplo, um edifício de escritórios de 66 andares financiado pela Arab Investments e que contará com o restaurante mais alto da cidade, só estará pronto em 2012.

Pierre Rolin, um assessor de investimento imobiliário londrino que tem fortes conexões com o Oriente Médio, ajudou a conduzir um investimento de US$ 900 milhões do Omã no Heron Tower, e está confiante em que seu cliente vá obter 20% de retorno sobre o seu investimento até 2012. Rolin disse que a demanda dos fundos de investimento do Golfo Pérsico por esse tipo de investimento em Londres parecia ilimitada.

"Eles estão em meio a uma temporada de compra, e veremos muito mais ativos famosos sendo adquiridos, em toda modalidade de transação", afirma Rolin. "Eles querem ativos de luxo, prestigiosos, e a demanda é a mais alta que já vi na vida".

Os líderes empresários e legisladores britânicos continuam a defender o investimento estrangeiro, especialmente o do Oriente Médio, até mesmo para se diferenciar de seus colegas americanos e do continente europeu, mais críticos.

"O Reino Unido manteve uma política consistente de abertura a todos os investidores estrangeiros, incluindo fundos soberanos, e continuamos a receber com agrado o seu investimento", disse Kitty Ussher, secretária da Economia no Departamento do Tesouro.

"Os investimentos dos fundos soberanos podem trazer outros benefícios ao relaxar os problemas de crédito, reduzir o custo de capital para empresas e melhorar a alocação de capital", ela disse.

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times

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