Combustíveis

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Quinta, 26 de junho de 2008, 09h48  Atualizada às 17h16

Especialista mostra vantagens do etanol brasileiro

Roberto do Nascimento
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Não importa o termo de comparação. Os 35 anos de tecnologia agrícola da cana-de-açúcar colocam o Brasil na vanguarda distante da produção de biocombustíveis. O empresário e conselheiro da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) Maurilio Biagi Filho reuniu em apresentação dados que demonstram a vantagem competitiva nacional.

Duas das principais preocupações hoje no mundo (o aquecimento global e a produção de alimentos) se dissipam, quando se analisa o etanol brasileiro produzido a partir da cana. Primeiro, porque a cana tem o melhor índice de redução de emissões de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global, as mudanças climáticas. O ciclo de vida da cana até a queima como etanol provoca emissão até 90% inferior à da gasolina. Na mesma comparação, a emissão do etanol de trigo é apenas 30% inferior à da gasolina e de álcool de beterraba, 45%.

Na questão alimentar, de acordo com Biagi, a vantagem da cana fica ainda mais evidente: apenas 1% das terras agricultáveis do Brasil destina-se à produção de etanol, 87% concentrada no Estado de São Paulo e sudoeste de Minas. O cultivo pode-se expandir ainda por 25 milhões de hectares de pastagens degradadas, sem concorrer com florestas ou plantio de alimentos.

Mas é no balanço energético que a cana-de-açúcar demonstra larga superioridade. Dados do World Watch Institute mostram que o etanol de cana usa apenas uma unidade de combustível fóssil para 9,3 produzidas. Trigo e beterraba exigem a queima de uma unidade de energia a partir de combustível fóssil para apenas duas produzidas. O milho, base da produção de etanol nos Estados Unidos, é o menos competitivo, queimando quase a mesma energia que produz, apenas 1,4 litro por litro de combustível fóssil.

Na base da competência estão mais de 30 anos de tecnologia desenvolvida por produtores e, principalmente, por entidades com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A produtividade brasileira na área de grãos, por exemplo, é sensível. Enquanto a área plantada cresceu de 8 milhões para cerca de 42 milhões de hectares de 1976 a 2003, a produção partiu de aproximadamente 8 milhões para quase 128 milhões de toneladas.

Outro comparativo que mostra a produtividade da cana brasileira vem da Agência Internacional de Energia. O Brasil extrai 7 mil litros de etanol por hectares de cana. A União Européia, 5,4 mil litros de álcool por hectare de beterraba. A mesma cana-de-açúcar, mas plantada na Índia, produz não mais que 5,2 mil litros. Em outro patamar vêm o milho norte-americano (3,8 mil litros/hectare), a mandioca na Tailândia (3,1 mil litros) e o trigo na União Européia (2,5 mil litros/hectare).

Em sua extensa apresentação, Biagi destaca ainda os benefícios sociais advindos dos biocombustíveis produzidos com tecnologia brasileira. "Cem países poderiam fornecer biocombustíveis para 200 nações, enquanto atualmente apenas 20 produtores de petróleo fornecem combustíveis fósseis para o resto do mundo." O mapa das nações fornecedoras indica as melhores possibilidades em países com menor grau de desenvolvimento, como América Latina, África e sul da Ásia.

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