
Arnaldo Comin
Direto de Cannes (França)
A campanha vencedora do Grand Prix no Direct Lions foi escolhida por unanimidade, em função de sua repercussão. O trabalho vitorioso foi criado pela indiana JWT para a Bennet Coleman and Co., que edita o Times of India, mais prestigioso do país.
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A ação visava indicar um possível novo primeiro-ministro e destacar novas lideranças nacionais, em um país marcado pela burocracia e corrupção das autoridades. Anúncios no próprio Times of India pediam para que pessoas se "candidatassem" ao cargo de primeiro-ministro, para posteriormente ser escolhidas por meio do "voto" popular. Um total de 34 mil pessoas se inscreveu para participar da disputa, que mobilizou o país.
Com forte apoio na tecnologia, a campanha utilizou um grande leque de mídias, incluindo debates na TV, publicidade exterior e mais de 100 anúncios. Ao final, mais de 100 milhões de pessoas votaram no "candidato" via SMS. O vencedor foi um médico que, a despeito de se candidatar ou não ao cargo, já se tornou um novo líder nacional.
"Nós publicitários nos consideramos mais importantes do que realmente somos, mas esse é um dos raros casos em que a publicidade pode mudar o mundo", diz o brasileiro Mauro Alencar, vice-presidente executivo de criação da Publicis San Francisco, representando os Estados Unidos no júri.
Ele destaca que, embora tivesse um apelo social forte, a campanha chamou a atenção pelo importante resultado na imagem institucional do jornal, além do perfil inovador. "É uma campanha importante do ponto de vista corporativo e muito atual, uma vez que não poderia ter sido feita até pouco tempo atrás", acrescenta.
Brasil
Em uma competição marcada pela diversidade de vencedores, o Brasil não obteve sucesso no Direct Lions. No ano passado, o País havia marcado presença com um Bronze. Com nove peças no shortlist, nenhuma campanha passou no crivo final do comitê julgador.
"O Brasil apresentou um trabalho maravilhoso e não tem nada do que se envergonhar, mas nenhuma campanha esteve à altura de conquistar um Leão", afirmou Marcio Salem, da agência brasileira Salem, que presidiu o júri do Direct deste ano.
Segundo o publicitário, o júri foi bastante rigoroso e chegou a analisar os resultados de todas as campanhas finalistas como um dos critérios de avaliação. "O fato é que só conquistaram leões as ações realmente acima da média, tanto que nem os Estados Unidos foram premiados", destacou Salem.
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