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Para frigorífico, oferta maior de gado favorecerá o Brasil

4 nov 2011 - 14h05
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O Brasil será beneficiado pela oferta maior de animais em 2012, enquanto tradicionais concorrentes, como os Estados Unidos, vivem uma situação de aperto, em meio ao cenário de demanda aquecida principalmente entre os países emergentes, disse um executivo do frigorífico Minerva em conferência nesta sexta-feira.

"Vemos um aumento dos estoques de fêmeas e de bezerros, que levam a pecuária brasileira a uma situação única frente aos concorrentes. O cenário de demanda forte continua nos emergentes", disse Fernando Galletti de Queiroz, presidente do Minerva.

Ele destacou, especialmente, a situação americana cujo rebanho encontra-se no menor nível em 50 anos. Os Estados Unidos são grandes concorrentes do Brasil no mercado externo de carne bovina.

A situação de oferta no Brasil marca uma reversão de um quadro ruim de disponibilidade de animais que afetou o setor nos últimos anos, contribuindo para a queda no volume de exportações brasileiras.

O Minerva divulgou nesta sexta-feira resultado em que apontou lucro líquido 36,5% menor no terceiro trimestre, de R$ 15,5 milhões, ante igual período do ano anterior.

Contudo, o executivo ressaltou que a companhia registrou incremento das vendas tanto no mercado interno como externo. Ele informou que a receita bruta de US$ 1,14 bilhão no período foi recorde.

"Vivemos (no último trimestre) momentos-chave do ciclo pecuário e, com nossa estratégia, conseguimos (boi para abate) a preços mais baixos mesmo na entressafra", disse Queiroz.

Ele explicou que a companhia elevou em 15% o número de bois em confinamento, permitindo concentrar as compras de animais no mercado à vista somente nos melhores momentos.

As vendas no mercado interno, somaram R$ 484 milhões no terceiro trimestre, salto de 48% ante igual período do ano anterior. As exportações totalizaram R$ 653,3 milhões, com uma alta de 4,2% versus o mesmo trimestre de 2010.

Para o executivo, esta tendência deve prevalecer no próximo trimestre do ano. "Dezembro é tradicionalmente muito forte para o mercado interno, quando ele é mais demandante ... a força para a indústria repassar preços cresce bastante" afirmou.

Segundo o executivo, a empresa está trabalhando com foco na proteção das margens, redução de alavancagem, maior utilização da capacidade instalada e redução do custo fixo. A companhia informou que opera com 78% de sua capacidade total.

A geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) avançou 36,5% na comparação anual, atingindo R$ 90,9 milhões no período.

Já a margem Ebitda cresceu 1,2 ponto percentual frente a um ano antes, para 8,5%.

De acordo com Queiroz, setembro e outubro foram meses de alargamento de margens. "E outubro também. Foi isso que o Minerva fez ... nossa estratégia é sempre travar as margens. Parte significativa (do boi) já estava comprada para novembro e dezembro", afirmou.

A perspectiva de geração de caixa positiva deixa o Minerva em condições melhores para aproveitar as oportunidades do setor, disse o executivo. Mas ele ponderou que os investimentos, especialmente em distribuição, devem ser orgânicos.

As ações do Minerva subiam 3,1% nesta sexta-feira por volta das 12h50, enquanto a Bovespa perdia 0,6%.

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